CAPACITAÇÃO

Mulheres de reservas extrativistas do Acre participam de oficina sobre saúde sexual e reprodutiva

Oficina faz parte do projeto “A Bagagem das Mulheres da Floresta”, que capacita lideranças para a prevenção de IST, HIV/aids e hepatites virais em seus territórios

05.07.2018 - 16:22
05.07.2018 - 16:22

[node:title]Mulheres da floresta que vivem em comunidades extrativistas do estado do Acre estiveram reunidas em Rio Branco (AC), nos dias 29 e 30 de junho, para uma oficina sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (IST), do HIV/aids e das hepatites virais. O encontro organizado pelo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde – em parceria com Coordenação de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Saúde e o Conselho Nacional de Seringueiros (CNS) – é o primeiro a ser realizado na Região Norte e faz parte da retomada do projeto “A Bagagem das Mulheres da Floresta”, iniciada, em fevereiro, com uma oficina em Brasília.

“As mulheres que estão aqui são lideranças em suas comunidades extrativistas; elas representam a força da mulher da floresta e podem fazer a diferença na saúde desses povos, levando informação a territórios onde muitos profissionais de saúde não conseguem chegar”, afirmou a representante da Secretaria da Mulher Trabalhadora Extrativista Rural do CNS, Ângela Mendes.

As participantes da oficina, que representavam quatro das cinco Reservas Extrativistas (Resex) do estado do Acre – Alto Juruá, Alto Tarauacá, Comzubá-Iracema e Chico Mendes –, trocaram informações, experiências e reflexões sobre como levar informação sobre prevenção e direito à saúde às suas comunidades, localizadas em áreas de difícil acesso no interior do estado. A intenção é que elas se tornem multiplicadoras e reproduzam, por meio da estratégia de educação entre pares, os conhecimentos que adquiriram durante a oficina.

“Muitos agentes de saúde têm dificuldade em falar sobre sexualidade e prevenção, sobre uso de preservativo; sentem vergonha. Essa oficina está sendo muito importante para melhorar a forma como falamos desses temas com a comunidade”, ressaltou Albertina de Oliveira, agente de saúde e liderança na reserva extrativista de Comzubá-Iracema, próximo ao município de Sena Madureira.

“É muito importante a interiorização das ações de prevenção, a partir dessa estratégia de formar multiplicadores”, destacou o coordenador estadual de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Saúde do Acre, Nelson Guedes. Segundo ele, “muitas vezes imagina-se que esses agravos estão presentes apenas na capital, mas os maiores índices de infecções por HIV e hepatites do nosso estado foram registrados no interior, no município de Sena Madureira”, explicou.

PREVENÇÃO COMBINADA - A programação da oficina incluiu uma dinâmica que debateu cada item da estratégia Prevenção Combinada – testagem regular para o HIV, hepatites virais e outras IST; Profilaxia Pós-Exposição (PEP); Profilaxia Pré-Exposição (PrEP); prevenção da transmissão vertical; imunização contra as hepatites virais; redução de danos; diagnóstico e tratamento de pessoas vivendo com IST e hepatites; uso do preservativo masculino, feminino e gel lubrificante; e tratamento de todas as pessoas vivendo com HIV/aids. A oficina contou também com rodas de conversa sobre políticas de promoção da equidade, educação popular e controle social; sobre determinação social da saúde nos territórios no âmbito da prevenção combinada; e sobre sexualidade e direitos reprodutivos.

A partir de relatos inspiradores sobre como essas mulheres apoiam e levam informação sobre saúde e direitos cidadãos às suas comunidades, foram debatidas estratégias de comunicação para qualificar as ações de promoção da saúde e de prevenção do HIV, sífilis, hepatites B e C e outras IST nas reservas extrativistas. Durante a oficina, as mulheres também puderam elaborar materiais de comunicação para utilização nos territórios.

A equipe que conduziu a oficina também foi formada só por mulheres: além das técnicas das áreas de educação, comunicação, prevenção e articulação social e hepatites virais do DIAHV, participaram da oficina a consultora do CNS Cristina Silva; a enfermeira da Secretaria de Saúde do Acre Maria do Rosário de Freitas; e a coordenadora estadual de Hepatites Virais da Secretaria de Saúde do Pará, Cisalpina Cantão.

Ao final do encontro, as lideranças das comunidades extrativistas construíram uma agenda de intervenção local para formação de novas multiplicadoras e desenvolvimento de ações de prevenção no âmbito das IST, do HIV/aids e das hepatites virais.

O PROJETO – “A Bagagem das Mulheres da Floresta” nasceu em 2004, no âmbito do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), e foi desenvolvido em parceria com três áreas do Ministério da Saúde: o DIAHV e os departamentos de Apoio à Gestão Participativa e Controle Social (DAGEP) e de Atenção Básica (DAB). O projeto já recebeu o prêmio internacional ActionAid Americas 2007; o Prêmio Direitos Humanos Internacional; e o Prêmio Nacional Chico Mendes, na categoria Saúde e Meio Ambiente.

Retomado no início de 2018, o projeto “A Bagagem das Mulheres da Floresta” se insere no âmbito da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas, que inclui entre seus objetivos o de levar informações e conhecimentos em saúde a essas populações.

Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais
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